Confesso que as vezes eu ainda sinto saudade da minha mãe. Em madrugadas
como essa (agora, enquanto eu escrevo isso, por exemplo, são 02:41), me
pego pensando na vida e muitas vezes penso nela. Bom, saudade não é
realmente a palavra certa, tudo que eu tenho sobre ela são algumas
fotos e relatos de outras pessoas. Ela morreu quando eu era pequeno e,
bem, não dá pra ter lembranças de quando a gente é um bebê. Mas ao ouvir
falar sobre ela, sinto alegria e pesar. Eu queria muito ter a conhecido, porque certamente seriamos muito amigos. Mas não deu. Uma pena
porque isso muitas vezes foi motivo de choro pra mim, ainda mais quando
se é pequeno e não te contam muita coisa. Lembro que antes de dormir,
eu sempre dava boa noite pra Deus e pra ela. Na minha cabeça, ela ouvia.
Hoje, depois de muito tempo, vejo que a vida dela é mais presente na
minha. Hoje sei muito mais sobre ela e a amo ainda mais. Como eu disse, é
uma pena. Deveria ser uma mulher incrível. E talvez por isso Deuss a
tenha levado. Sei lá, vai ver falta gente legal lá no céu. Vejo que a
vida dela é um reflexo da minha e que muita gente, quando me vê, olha
pra ela. Percebo que ela faz muita falta pra tantas outras pessoas. E
confesso que toda vez que alguém diz que somos parecidos no jeito de
ser, sorrio por dentro.
Não sei se teria uma vida pior ou melhor com ela, não sei mesmo. Não
posso reclamar. Fui criado por uma mãe maravilhosa e tive irmãos
maravilhosos, também. Mas seria legal se eu a tivesse conhecido, seria
mesmo. Peço a Deus que, se possível, a gente possa se encontrar um dia.
Só pra dar um abraço e dizer obrigado, sabe? Mostrar pra ela que eu me
tornei um homem. Dizer que errei muito, mas que reconheci todas as
vezes. Que nunca a esqueci e que sempre a amei muito.